A Palavra de Deus é sempre alimento. Também em tempos de Coronavírus.

A Palavra de Deus é sempre alimento. Também em tempos de Coronavírus.

 Desde que começaram as quarentenas, primeiro para os grupos de risco e depois para todas as pessoas seguindo a orientação do Ministério da Saúde, além das dioceses solicitando a suspensão das aglomerações nos templos, o que implica em principalmente deixar, por um tempo, de celebrar a Eucaristia na comunidade de fé, recordo aqui as palavras de Dom Armando Bucciol sobre a “criatividade selvagem” falando sobre a Liturgia da Igreja e as celebrações dos sacramentos e sacramentais.

A Palavra de Deus sempre foi, é, e sempre será alimento para a nossa fé, para a vida cristã. O Concílio Vaticano II, na reforma litúrgica através da Sacrosanctum Concilium indicou para todo o Povo de Deus a beleza da participação ativa, consciente, plena e frutuosa na celebração do mistério pascal do Senhor. Todos nós sabemos que participar é tomar parte, é muito mais que assistir.

Estamos vivendo um momento atípico, preocupante e desafiador que é ter em nosso cotidiano essa pandemia do coronavírus. Alguns templos estão abertos apenas para a oração pessoal. Nunca é demais evitar de toda maneira a oração em grupos. Então fiquei pensando porque ao invés de convidar o Povo de Deus para assistir a Celebração Eucarística pela tv ou outras mídias sociais, as dioceses e paróquias não investem na Liturgia nas Casas e incentivem a participação ativa pela leitura orante da Palavra de Deus, do Ofício Divino das Comunidades, da Liturgia das Horas, da oração do Terço, dos Círculos Bíblicos… Chegamos a ver tanta “criatividade selvagem” em igrejas onde os presbíteros colam fotos do povo nos bancos e celebram sozinhos a Eucaristia.

A maioria das dioceses estão pedindo aos presbíteros que celebrem a Eucaristia sem o povo (está prevista no Missal de Paulo VI) e reze por todos em suas capelas pessoais. Por que tanta “criatividade selvagem”? E me parece que a resposta é clara. Após um segundo milênio de desequilíbrio total entre Palavra e Eucaristia, e mesmo após mais de cinquenta anos após a reforma litúrgica do Vaticano II, temos muita dificuldade de investir na participação ativa e de recomendar que as famílias em quarentena se reúnam para celebrar a Palavra e nela encontrar a sabedoria de Deus e alimentar a fé e a esperança cristã. Mas ao contrário, incentivamos o povo a assistir a missa. A celebração Eucarística é o nosso maior culto, a ação de graças por excelência, mas me pergunto: será que assistir pela tv ou internet é realmente o caminho para aproveitar esses dias, semanas e talvez meses e viver em família a participação ativa tão sonhada pelo Vaticano II? Vamos aproveitar este tempo favorável da quaresma e talvez todo o Tríduo Pascal em casa para celebrar a Palavra e o amor de Deus todos os dias com a oração da manhã (laudes) e a oração da tarde (vésperas). Gente, isso é tão importante que os padres conciliares dedicaram todo um capítulo da Sacrosanctum Concilium para o Ofício Divino.

Por Leonardo Ramos
20/03/2020