“LITURGIA É ALGO ECLESIAL. É DA IGREJA, NÃO É DE GRUPOS”, DIZ DOM EDMAR PERON

Dom Edmar destaca o desejo que as pessoas lessem a coletânea sobre Liturgia de Bento XVI – na Edições CNBB, a obra Teologia da Liturgia – O Fundamento Sacramental da Existência Cristã, tem 752 páginas – não que ficassem “com alguns videozinhos de Youtube de algum gesto de Bento XVI sobre a Liturgia”.

“Leia o Tomo sobre Liturgia de Bento XVI, aí a gente pode falar de Liturgia de Bento XVI, pois se evoca a autoridade dele para fazer coisas que ele jamais iria aprovar, assim como muito evocam a autoridade do Concílio Vaticano II para fazer coisas que jamais o Concílio Vaticano II propôs”, destacou.

Missal Romano

Dom Edmar explicou a importância do Missal Romano para a Igreja: “Existe uma comunhão eclesial que se dá ao redor de um livro. Aquilo que nós celebramos é aquilo que nós cremos. A importância de um livro é que ali está a fé da Igreja”. E comentou as polêmicas causadas por notícias falsas a respeito da tradução da terceira edição pela CNBB. “Nunca, nem o Papa São João Paulo II, que promulgou a 3ª edição do missal romano, nem a Conferência Episcopal dos Bispos do Brasil tem interesse em destruir a fé, porque é o conteúdo da fé que está ali. Quando nós celebramos, nós expressamos o que cremos”, reforçou.

Dom Edmar Peron | Imagem: reprodução/TV Evangelizar (Youtube)

Terceira edição do Missal

A 3ª Edição do Missal Romano foi promulgada por São João Paulo II, após as duas primeiras por São Paulo VI. À época, o Papa Wojtila pediu que todo o missal, e não apenas as partes novas que seriam inseridas na terceira edição, fossem traduzidas.

“Isso gerou para nós no Brasil um trabalho imenso, porque nós não temos pessoas liberadas para fazerem só isso. Então nós tivemos a constituição de peritos que fizeram uma tradução do latim, muito precisa, muito atenta. E depois essa tradução paga a profissionais foi entregue à Cetel. Esses bispos tinham suas dioceses, se reuniam no máximo quatro vezes por ano. Cada parte que era revisada, era conferida no texto em latim, se analisava a poética, a compreensão… era uma fidelidade ao latim, ao povo, ao português, e tudo isso tinha que ser apresentado ainda à Assembleia dos Bispos”, lembrou dom Edmar ao ponderar sobre o longo período para a tradução dos textos.

“A cada ano se pegava o que tinha sido o trabalho, se votava na Assembleia, se começava uma nova etapa. O trabalho agora terminamos. Estamos aproveitando o tempo da pandemia, praticamente todas as semanas nos reunimos às terças-feiras pela manhã via internet para fazer aquela última olhada do que já foi traduzido. E então apresentaremos aos bispos na próxima assembleia o miolo do missal que serão os prefácios, as orações eucarísticas para que eles olhem ponto por ponto das observações que estamos fazendo e, se houve alguma mudança significativa, ela também será apresentada para que os bispos se posicionem”, explicou sobre o processo de aprovação.

“A terceira edição do Missal Romano pega tudo aquilo que os Papas modificaram ou incluíram desde Paulo IV até o Papa Francisco e coloca nessa nova edição. Que é a terceira edição típica”, resumiu dom Edmar sobre as principais alterações que serão encontradas na nova edição do missal.
Confira a entrevista na íntegra:

https://youtu.be/5mzAvMr5x-g