A comunhão espiritual em tempos de isolamento social

 Estamos vivendo a mais de um mês um isolamento social por conta da pandemia do COVID19 que já ceifou milhares de vidas. E seguindo as orientações dos especialistas em medicina, é ele, o isolamento que pode garantir que o SUS não entre em um sério colapso e não consiga suprir todas as necessidades das internações e tratamentos. Sem isolamento, o impacto das mortes seria inestimável.

O isolamento social não comporta aglomerações, reuniões, festas, celebrações… E então como fica a nossa comunhão? Temos ouvido e visto os mais diversos comentários sobre esse tema. Alguns interessantes e fundamentados e outros egoístas e teologicamente frágeis.

Em tempos de “missas live” como manter a comunhão com a comunidades eclesial e não sermos meros espectadores que assistem a uma celebração pela tv ou a ouvem pelo rádio?

Há três tipos de comunhão: a comunhão sacramental é aquela que mantemos viva na própria celebração escutando atentamente a Palavra de Deus, e depois comendo o Corpo e bebendo o Sangue do Senhor, no pão e vinho transubstanciados pelo Espírito. Outra forma de comunhão é a eclesial. Nós estamos impossibilitados, por um tempo, de nos reunir na comunidade cristã com os irmãos para celebrar o mistério pascal de Jesus, mas a comunhão eclesial não tem seu fim nesta situação. O templo está vazio, mas a Igreja está viva em cada cristão que embora distantes fisicamente permanecem unidos na fé do Ressuscitado porque continuam fazendo parte da mesma comunidade cristã. O Concílio Vaticano II enfatizou na Lumen Gentium que a Igreja é Povo de Deus! Esta certeza nos anima e mantém viva a nossa esperança de que voltaremos a nos reunir como irmãos para celebrar, para fazer festa…

Na mesma lógica há a comunhão espiritual que só pode ser entendida à luz e bem unida às duas anteriores. Entender esta forma de comunhão sem levar em conta as outras duas deixa sua compreensão de maneira abstrata e sem elementos concretos que dão seu sentido. A comunhão espiritual só tem sentido porque em tempos “normais” fazemos a comunhão sacramental de maneira periódica, em especial aos domingos, nossa páscoa semanal e porque fazemos parte de uma comunidade eclesial, uma Igreja viva que se alimenta do próprio Senhor e do amor dos irmãos que fazem florescer a evangelização, a ação pastoral e a solidariedade da vida cristã. Desta forma, em tempos de distanciamento eclesial, podemos manter viva a comunhão – a comum união dos discípulos missionários de Jesus Cristo.

Leonardo Ramos
Teólogo