Meio Ambiente, a Liturgia da Criação

 

No último dia 5 de junho toda a humanidade celebrou o Dia Mundial do Meio Ambiente e fazendo essa memória sempre recordamos por primeiro a beleza da criação e como Deus colocou tanto amor em tudo o que fez. Mas também somos convidados a olhar a realidade ao redor e constatar ou ao menos nos perguntar

como temos cuidado dessa criação, dos rios, mananciais, das florestas, plantas e de toda a riqueza que o meio ambiente nos dá gratuitamente como o ar que respiramos às vezes puro e suave, por muitas vezes poluído por nós mesmos numa desenfreada produção que não tem fim e que provoca em nós um consumismo absurdo.

O meio ambiente é um canto de amor do Criador para a humanidade, a beleza do verde cheio de vida nos faz contemplar e celebrar como fazia Francisco, o pobre de Assis. O canto dos pássaros são um louvor a Deus em gratidão que invade o nosso interior e cala fundo no coração. O silêncio do vento invade as árvores e flores são um belo convite à oração. Por tudo isso e muito mais, penso no meio ambiente como uma boa Liturgia, bem celebrada, mistagógica e revigorante que nos faz esperançar sempre uma outra realidade possível para uma sociedade tão abalada nestes meses pela pandemia que não escolhe pessoas, crenças, raças, situação social…

Sabemos que Liturgia e vida caminham sempre juntas, pois, celebramos a vida de uma pessoa, de Jesus Cristo, seu mistério pascal, ou seja, sua vida, paixão, morte e ressurreição. E fico pensando como são belas as nossas Liturgias quando preparadas com o mesmo carinho que contemplamos na criação, ao menos inspirados por ele. Afinal, é vida!

Celebrar o louvor e a gratidão ao Criador precisa nos interligar com toda a criação, somos parte dela e temos a missão de cuidar e preservar, para poder contemplar e amar.

Quando estamos reunidos em nome do Senhor na comunidade cristã, vemos pulsar vida nos irmãos, nos belos arranjos florais, na palavra proclamada e cantada, no silêncio divino e orante, na bênção, no abraço, na festa…

Escrever sobre este tema me fez recordar da Carta da Terra, escrita em 1997 pela Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento das Nações Unidas, que

vale a pena ler, contemplar, refletir e colocar na vida. Recordei também da “encíclica verde” como é carinhosamente chamada a LAUDATO SI. Sem medo de exagerar olho pra ela como um novo divisor de águas, mais um presente do nosso querido Papa Francisco, que nos provoca a mudar nossa mentalidade e nossa relação com a criação, o consumismo, o desperdício e a ótica individualista e nada cristã do descartável. Vale também muito a pena ler e reler para colocar na vida cada capítulo, palavra e frase desta carta que completou cinco anos a poucas semanas. Por fim, recordo os versos do Pe. Cirineu Kuhn quando canta de maneira tão bela que todos estamos interligados nesta Casa Comum:

“Tudo está interligado, como se fôssemos um. Tudo está interligado nesta Casa Comum”.

 Deixo este convite: façamos a experiência de contemplar e saborear na Liturgia celebrada a mesma vida que sentimos na criação. Tudo está interligado! E levemos para o nosso dia a dia o carinho de Deus que recebemos pela Palavra e pela Eucaristia para que este mundo tenha mais sabor e mais esperança. Que o meio ambiente, Liturgia divina sempre inspire a nossa relação com o transcendente. Amém!
Leonardo Teixeira Ramos
Teólogo e Liturgista