Domingo de Ramos

Reflexão para o Domingo de Ramos

“Anunciamos Senhor, a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição, vinde Senhor Jesus!”, aclamamos a cada consagração do pão e do vinho.

Padre Cesar Agusuto, SJ – Vatican News

Neste domingo, que abre a Semana Santa, a Liturgia nos propõe refletirmos sobre a entrada de Jesus em Jerusalém, para ser aclamado como Filho de Davi e para, alguns dias depois, ser julgado e condenado como um grande malfeitor, um bandido que subleva o povo.

Estamos chegando no auge, no pico do Ano Litúrgico, com a solenidade das solenidades que é a Páscoa da Ressurreição do Senhor, no domingo próximo.


Ouça e Compartilhe!

Nesta Semana, vamos refletir sobre a entrega de Jesus na Nova e Eterna Aliança, na quinta-feira e na paixão e morte de Jesus, na sexta. Tendo o sábado como um dia de esperança, aguardando a realização da promessa do Senhor, de que ressuscitaria, passamos estes dias ao lado da Virgem Maria, a Nossa Senhora das Dores, a Mãe da Esperança, em casa, no aguardo da Vida Nova.

Esta Semana Santa, de 2021, como a do ano passado, de 2020, terá suas celebrações diferentes, em muitas cidades serão transmitidas online, com todos os fiéis leigos em casa, protegendo-se da pandemia. Isso nos afervora o sentimento de meditação e contemplação, já que nada será motivo de distração, mas sim, de união com o Cristo que sofre sua paixão, também nos irmãos que estão enfermos e, muitos, agonizantes, além de estar presente naqueles que fazem o papel de cireneu, os médicos e enfermeiros e todos da área da saúde, que lidam direta ou indiretamente a favor daqueles que sofrem.

Veremos a Virgem Dolorosa também nas pessoas que, aflitas, acompanham, de longe, o sofrimento dos amados, dos queridos, daqueles que importam em suas vidas. Por que não citar aquelas pessoas que como Maria, outras mulheres, João Evangelista e José de Arimatéia fazem um cortejo fúnebre, mesmo apenas com o coração, e sepultam ou cremam os corpos de seus entes queridos?

Esta semana será Santa em todos os sentidos. Vamos vivê-la na dimensão unitiva com todos os que padecem em nosso mundo.

A primeira leitura da missa deste domingo, extraída de Isaías 50, 4-7, inicia dizendo que o Senhor deu ao personagem principal do texto, capacidade de confortar pessoa abatida e para ouvir, como discípulo. Ao mesmo tempo, o personagem principal sofre agressões e afrontas, mas não perde o ânimo porque sabe que o Senhor é o seu auxílio e não sairá humilhado dessa situação de ultrajes. A cena pode ser aplicada ao Cristo, em sua paixão, e a nós, em situações de profundo sofrimento. A esperança em Deus permanece. O Senhor pode não nos livrar de vexames e afrontas, mas Ele nos liberta dentro dessa situação e nos mantem, apesar das humilhações, com nossa dignidade intocável. O salmo responsorial, Sl 21 (22) descreve com tragicidade o que acontece com o Servo do Senhor, mas será o Sl 23(22), o que nos falará do sentimento mais profundo durante a experiência de atroz sofrimento: “Ainda que eu caminhe por vale tenebroso nenhum mal temerei, pois estás junto a mim … minha morada é a casa do Senhor por dias sem fim.”

Na segunda leitura, tirada de Filipenses 2, 6-11, São Paulo nos fala explicitamente de Jesus Cristo ao fazer a kenosis de si mesmo, isto é, ao se esvaziar da postura de Filho de Deus para se preencher com a condição de escravo e se igualar aos seres humanos.

Vivemos essa entrega do Senhor a cada Eucaristia, onde ele assume nosso lugar e sendo homem e Deus, faz a aliança nova e eterna com o Pai, renovada a cada sim dado ao Pai, quando saímos de nós mesmos e aceitamos morrer e abraçar a vida nova.

A Quinta-Feira Santa e a Sexta-Feira Santa celebram especialmente essa entrega do Senhor, que também pode, aos poucos, ir se tornando a nossa, quando conscientes no dia de nosso Batismo, demos o Sim radical ao Senhor da Vida, a cada dificuldade o vamos repetindo, até o Sim absoluto dado na hora de nossa morte.

“Anunciamos Senhor, a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição, vinde Senhor Jesus!”, aclamamos a cada consagração do pão e do vinho. Aí, jaz a esperança, ou melhor, a certeza de que a vida dará sua palavra final com a ressurreição. A do Senhor já aclamada, e a nossa, imbricada na Dele.

https://www.vaticannews.va/
Ler mais

Semana Santa

O significado de cada dia da celebração da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo

A Igreja Católica dá início neste Domingo de Ramos, 28 de março – a Semana Santa que se estende até o próximo domingo, dia 4 de abril – domingo de páscoa.  A Semana Santa é o momento central da liturgia católica romana e é a semana mais importante do ano litúrgico, quando se celebram de modo especial os mistérios da paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo.

Este ano, novamente, a vivência desse momento será diferente por causa das exigências sanitárias impostas diante do avanço da pandemia da Covid-19. Em muitas regiões do país, as celebrações serão mais simples, com a presença limitada ou sem a presença física de fieis nas Igrejas.

A Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou orientações e sugestões para que as arquidioceses e dioceses possam realizar as celebrações diante das exigências sanitárias impostas por causa da pandemia, que interferem diretamente no rito celebrativo da Semana Santa.

Para ajudar a compreender o sentido litúrgico deste momento, o portal da CNBB traz o significado de cada dia da Semana Santa.

Domingo de Ramos

O Domingo de Ramos abre, por excelência, a Semana Santa, pois celebra a entrada triunfal de Jesus Cristo, em Jerusalém, poucos dias antes de sofrer a Paixão, a Morte e a Ressurreição. Este domingo é chamado assim, porque o povo cortou ramos de árvores, ramagens e folhas de palmeiras para cobrir o chão por onde o Senhor passaria montado num jumento. Com isso, Ele despertou, nos sacerdotes da época e mestres da Lei, inveja, desconfiança e medo de perder o poder. Começa, então, uma trama para condená-Lo à morte. A liturgia dos ramos não é uma repetição apenas da cena evangélica, mas um sacramento da nossa fé, na vitória do Cristo na história, marcada por tantos conflitos e desigualdades.

Segunda-feira Santa

Neste dia, proclama-se, durante a Missa, o Evangelho segundo São João. Seis dias antes da Páscoa, Jesus chega a Betânia para fazer a última visita aos amigos de toda a vida. Está cada vez mais próximo o desenlace da crise. “Ela guardava este perfume para a minha sepultura” (cf. João 12,7); Jesus já havia anunciado que Sua hora havia chegado. A primeira leitura é a do servo sofredor: “Olha o meu servo, sobre quem pus o meu Espírito”, disse Deus por meio de Isaías. A Igreja vê um paralelismo total entre o servo de Javé cantado pelo profeta Isaías e Cristo. O Salmo é o 26: “Um canto de confiança”.

Terça-feira Santa

A mensagem central deste dia passa pela Última Ceia. Estamos na hora crucial de Jesus. Cristo sente, na entrega, que faz a “glorificação de Deus”, ainda que encontre no caminho a covardia e o desamor. No Evangelho, há uma antecipação da Quinta-feira Santa. Jesus anuncia a traição de Judas e as fraquezas de Pedro. “Jesus insiste: ‘Agora é glorificado o Filho do homem e Deus é glorificado nele’”. A primeira leitura é o segundo canto do servo de Javé; nesse canto, descreve-se a missão de Jesus. Deus o destinou a ser “luz das nações, para que a salvação alcance até os confins da terra”. O Salmo é o 70: “Minha boca cantará Teu auxílio.” É a oração de um abandonado, que mostra grande confiança no Senhor.

Quarta-feira Santa

Em muitas paróquias, especialmente no interior do país, realiza-se a famosa “Procissão do Encontro” na Quarta-feira Santa. Os homens saem de uma igreja ou local determinado com a imagem de Nosso Senhor dos Passos; as mulheres saem de outro ponto com Nossa Senhora das Dores. Acontece, então, o doloroso encontro entre a Mãe e o Filho. O padre proclama o célebre “Sermão das Sete Palavras”, fazendo uma reflexão, que chama os fiéis à conversão e à penitência.

Quinta-feira Santa

Santos óleos – Uma das cerimônias litúrgicas da Quinta-feira Santa é a bênção dos santos óleos usados durante todo o ano pelas paróquias. São três os óleos abençoados nesta celebração: o do Crisma, dos Catecúmenos e dos Enfermos. Ela conta com a presença de bispos e sacerdotes de toda a diocese. É um momento de reafirmar o compromisso de servir a Jesus Cristo.

Lava-pés – O Lava-pés é um ritual litúrgico realizado, durante a celebração da Quinta-feira Santa, quando recorda a última ceia do Senhor. Jesus, ao lavar os pés dos discípulos, quer demonstrar Seu amor por cada um e mostrar a todos que a humildade e o serviço são o centro de Sua mensagem; portanto, esta celebração é a maior explicação para o grande gesto de Jesus, que é a Eucaristia. O rito do lava-pés não é uma encenação dentro da Missa, mas um gesto litúrgico que repete o mesmo gesto de Jesus. O bispo ou o padre, que lava os pés de algumas pessoas da comunidade, está imitando Jesus no gesto; não como uma peça de teatro, mas como compromisso de estar a serviço da comunidade, para que todos tenham a salvação, como fez Jesus.

Instituição da Eucaristia – Com a Santa Missa da Ceia do Senhor, celebrada na tarde ou na noite da Quinta-feira Santa, a Igreja dá início ao chamado Tríduo Pascal e faz memória da Última Ceia, quando Jesus, na noite em que foi traído, ofereceu ao Pai o Seu Corpo e Sangue sob as espécies do Pão e do Vinho, e os entregou aos apóstolos para que os tomassem, mandando-os também oferecer aos seus sucessores. A palavra “Eucaristia” provém de duas palavras gregas “eu-cháris”, que significa “ação de graças”, e designa a presença real e substancial de Jesus Cristo sob as aparências de Pão e Vinho.

Instituição do sacerdócio – A Santa Missa é, então, a celebração da Ceia do Senhor, quando Jesus, num dia como hoje, véspera de Sua Paixão, “durante a refeição, tomou o pão, benzeu-o, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo: ‘Tomai e comei, isto é meu corpo’.” (cf. Mt 26,26). Ele quis, assim como fez na última ceia, que Seus discípulos se reunissem e se recordassem d’Ele abençoando o pão e o vinho: “Fazei isto em memória de mim”. Com essas palavras, o Senhor instituiu o sacerdócio católico e deu-lhes poder para celebrar a Eucaristia.

Sexta-feira Santa – A tarde da Sexta-feira Santa apresenta o drama incomensurável da morte de Cristo no Calvário. A cruz, erguida sobre o mundo, segue de pé como sinal de salvação e esperança. Com a Paixão de Jesus, segundo o Evangelho de João, contemplamos o mistério do Crucificado, com o coração do discípulo Amado, da Mãe, do soldado que o transpassou o lado. Há um ato simbólico muito expressivo e próprio deste dia: a veneração da santa cruz, momento em que esta é apresentada solenemente à comunidade.

Via-sacra – Ao longo da Quaresma, muitos fiéis realizam a Via-Sacra como uma forma de meditar o caminho doloroso que Jesus percorreu até a crucifixão e morte na cruz. A Igreja nos propõe esta meditação para nos ajudar a rezar e a mergulhar na doação e na misericórdia de Jesus que se doou por nós. Em muitas paróquias e comunidades, são realizadas a encenação da Paixão, da Morte e da Ressurreição de Jesus Cristo por meio da meditação das 14 estações da Via-Crucis.

Sábado Santo

O Sábado Santo não é um dia vazio, em que “nada acontece”. Nem uma duplicação da Sexta-feira Santa. A grande lição é esta: Cristo está no sepulcro, desceu à mansão dos mortos, ao mais profundo que pode ir uma pessoa. O próprio Jesus está calado. Ele, que é Verbo, a Palavra, está calado. Depois de Seu último grito na cruz – “Por que me abandonaste?” –, Ele cala no sepulcro agora. Descanse: “tudo está consumado!”.

Vigília Pascal – Durante o Sábado Santo, a Igreja permanece junto ao sepulcro do Senhor, meditando Sua Paixão e Morte, Sua descida à mansão dos mortos, esperando na oração e no jejum Sua Ressurreição. Todos os elementos especiais da vigília querem ressaltar o conteúdo fundamental da noite: a Páscoa do Senhor, Sua passagem da morte para a vida. A celebração acontece no sábado à noite. É uma vigília em honra ao Senhor, de maneira que os fiéis, seguindo a exortação do Evangelho (cf. Lc 12,35-36), tenham acesas as lâmpadas, como os que aguardam seu senhor chegar, para que, os encontre em vigília e os convide a sentar à sua mesa.

Bênção do fogo – Fora da Igreja, prepara-se a fogueira. Estando o povo reunido em volta dela, o sacerdote abençoa o fogo novo. Em seguida, o Círio Pascal é apresentado ao sacerdote. Com um estilete, o padre faz nele uma cruz, dizendo palavras sobre a eternidade de Cristo. Assim, ele expressa, com gestos e palavras, toda a doutrina do império de Cristo sobre o cosmos, exposta em São Paulo. Nada escapa da Redenção do Senhor, e tudo – homens, coisas e tempo – estão sob Sua potestade.

Procissão do Círio Pascal – As luzes da igreja devem permanecer apagadas. O diácono toma o Círio e o ergue, por algum tempo, proclamando: “Eis a luz de Cristo!”. Todos respondem: “Demos graças a Deus!”. Os fiéis acendem suas velas no fogo do Círio Pascal e entram na igreja. O Círio, que representa o Cristo Ressuscitado, a coluna de fogo e de luz que nos guia pelas trevas e nos indica o caminho à terra prometida, avança em procissão.

Proclamação da Páscoa – O povo permanece em pé com as velas acesas. O presidente da celebração incensa o Círio Pascal. Em seguida, a Páscoa é proclamada. Esse hino de louvor, em primeiro lugar, anuncia a todos a alegria da Páscoa, a alegria do Céu, da Terra, da Igreja, da assembleia dos cristãos. Essa alegria procede da vitória de Cristo sobre as trevas. Terminada a proclamação, apagam-se as velas.

Liturgia da Palavra – Nesta noite, a comunidade cristã se detém mais que o usual na proclamação da Palavra. As leituras da vigília têm uma coerência e um ritmo entre elas. A melhor chave é a que nos deu o próprio Cristo: “E começando por Moisés, percorrendo todos os profetas, explicava-lhes (aos discípulos de Emaús) o que dele se achava dito em todas as Escrituras” (Lc 24, 27).

Domingo da Ressurreição

É o dia santo mais importante da religião cristã. Depois de morrer crucificado, o corpo de Jesus foi sepultado, ali permaneceu até a ressurreição, quando seu espírito e seu corpo foram reunificados. Do hebreu “Peseach”, Páscoa significa a passagem da escravidão para a liberdade. A presença de Jesus ressuscitado não é uma alucinação dos Apóstolos. Quando dizemos “Cristo vive” não estamos usando um modo de falar, como pensam alguns, para dizer que vive somente em nossa lembrança.
CNBB

Ler mais

Reflexão 4º Domingo

Reflexão para o 4º Domingo da Quaresma

Deus é Pai, Deus é bom. Mesmo diante de um povo enraizado em fazer o mal, Ele tem misericórdia, e como Senhor da História, se serve de homens de valor para resgatar aqueles recalcitrantes e dar-lhes a dignidade desejada.

Padre Cesar Augusto, SJ – Vatican News

A Liturgia deste domingo transborda da misericórdia de Deus.

Começamos nossa reflexão com a Carta de Paulo aos Efésios 2, 4-10, segunda leitura, onde o Apóstolo fala que “fomos criados em Jesus Cristo para as obras boas, que Deus preparou de antemão para que nós as praticássemos.” Mesmo com o coração empedernido em praticar o mal, como nos fala a 1ª leitura, extraída de 2 Crônicas 36, 14-16.19-23, vemos no Evangelho de João 3, 14-21 que Deus não se deixa vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem. No deserto, após a desobediência do povo e da invasão de cobras venenosas, o Senhor se apiedou dele e misericordiosamente mandou colocar no centro do acampamento uma grande haste de madeira onde pendia uma cobra de bronze. Aquele que para ela olhava, ficava curado. Esse tronco com a cobra pendurada era prenúncio do Cristo, suspenso em uma cruz e salvação de todos os que a ele se dirigem com fé.

Ouça  e compartilhe

Na conversa com Nicodemos, Jesus deixa claríssimo o objetivo de sua vinda, de sua missão: salvar os homens!  Se no Antigo Testamento era necessário olhar para a serpente, no novo, basta aproximar-se da luz, praticar o bem e crer no Filho do Homem!

Por isso, na segunda leitura, Paulo fala que Deus nos ressuscitou com Cristo, em virtude de nossa união com Jesus Cristo. É de graça! Não por causa de méritos nossos, mas por pura graça de Deus. Não existe meritocracia. Nenhum de nós tem mérito algum, mesmo que só pratique o bem. Como vimos no final da segunda leitura, o bem que fazemos “foi preparado de antemão para que nós o praticássemos”. O único que tem mérito é Jesus Cristo, que em seu coração bondoso e generoso, aceitou morrer na cruz para nos dar a felicidade eterna.

Do mesmo modo, a primeira leitura fala das infidelidades do povo; apesar disso tudo, o Senhor lhes enviava mensageiros para admoesta-los ao arrependimento e a praticarem o que era justo, mas a reação deles era zombar dos mensageiros divinos. A desgraça chegou através dos inimigos que atearam fogo a todas a construções fortificadas e ao Templo e derrubaram os muros da cidade, destruindo tudo o que havia de precioso. O rei inimigo levou os sobreviventes como escravos para sua pátria. Tudo ficou assim até que outro rei estrangeiro, de outro país, decidiu reconstruir o Templo em Jerusalém e resgatar Judá em sua própria terra.

Deus é Pai, Deus é bom. Mesmo diante de um povo enraizado em fazer o mal, Ele tem misericórdia, e como Senhor da História, se serve de homens de valor para resgatar aqueles recalcitrantes e dar-lhes a dignidade desejada.

Também a nós, Seu povo, resgatados pelo sangue de Seu Unigênito, o Senhor não vê nossos erros, mas deixa-se levar pelo seu coração paterno e nos apresenta Jesus Crucificado como nossa salvação, como nosso Redentor. Por isso, a liturgia deixa de lado a sisudez da quaresma e inicia a missa com o “Alegra-te, exultai de alegria”, retirado de Isaías 66, 10s e sugere ao celebrante trocar o roxo dos paramentos, usando os de cor rosa.
https://www.vaticannews.va/

Ler mais

Reflexão – 3º Domingo

Reflexão para o 3º Domingo da Quaresma

Não queiramos fazer Deus à nossa imagem e semelhança, nós é que fomos feitos à Sua imagem e semelhança e devemos nos amoldar a isso.

Padre Cesar Augusto, SJ – Vatican News

As leituras da liturgia deste final de semana nos levam a buscar uma pureza de fé, de louvor a Deus, dentro do que Ele deseja.

Deus é espírito, invisível e, por isso, não existe imagem para representá-lo, como entendemos na primeira leitura extraída de Êxodo 20, 1-7.

Do mesmo modo, a transformação do espaço de culto em local de vendas e de câmbio, e a revolta de Jesus, expulsando os mercadores do Templo, como nos relata o Evangelho, tirado de João 2, 13-25, nos admoesta sobre o zelo que deveremos ter com esse espaço sagrado.

Ouça e compartilhe

A pureza também aparece na segunda leitura, 1ª Coríntios 1,22-25, quando Paulo é incisivo em dizer que nossa fé e religião pregam Jesus Cristo crucificado, poder de Deus e sabedoria de Deus. Portanto nada além disso deve ser pregado e tudo o mais dentro do Cristianismo deverá decorrer desse anúncio, Jesus, o Verbo Encarnado foi pregado na cruz, por amor a todos os homens e ressuscitou ao terceiro dia e está sentado à direita do Pai.

A liturgia dá um salto ao não concordar dom a materialização de Deus e nem com a comercialização do relacionamento do homem com Ele.

Quando Jesus fala para a samaritana que a adoração de Deus deve ser em espírito e verdade – Jo 4, 23c –, que não existe lugar para adorá-lo, o Senhor reafirma que Deus é onipresente, onisciente e onipotente está em toda parte e sabe de tudo e tudo pode.

Não queiramos fazer Deus à nossa imagem e semelhança, nós é que fomos feitos à Sua imagem e semelhança e devemos nos amoldar a isso.

Deus está em toda parte, em todo lugar para me dirigir a Ele, vê-Lo, senti-Lo, percebê-Lo nas pessoas, nas coisas, pois tudo foi criado por Ele, tudo possui sua marca registrada. Tudo deverá nos falar Dele. Tudo deverá nos levar ao Seu encontro.

E tudo é de graça. A vida é de graça!

Tudo deve me levar a gratuitamente falar de Deus e levar as pessoas a Deus. Amor com amor se paga!

“De graça recebestes, de graça dai.” Mt 10, 8

Não se paga sacramentos e nem sacramentais, mas posso fazer e receber doações por ocasião de um momento muito importante de minha vida ou de minha família. Não estou pagando e nem cobrando, mas fazendo e recebendo uma doação. Amor com amor se paga!

Minha relação com Deus é tão íntima que não precisa de imagem, eu O reconheço em suas palavras e gestos, em seu amor; nessa relação tudo é graça, tudo é relação afetiva, tudo é amor. Até no culto, tudo expressa a relação pai-filho; irmão-irmão e em tudo nos unimos para louvar nosso Deus, como fez Francisco de Assis com o Cântico das Criaturas e, mais tarde, Inácio de Loyola com a Contemplação para Amar, conclusão de seus Exercícios Espirituais.
https://www.vaticannews.va/

Ler mais

Artigo – Papa

A conversão do Papa Francisco

Foto de família de Jorge Mario Bergoglio quando jovem 

O tempo da Quaresma é um tempo especial para voltar o coração para Deus. Na sua mensagem deste ano, o Papa Francisco nos lembra que a Quarema é “tempo de conversão, renovamos a nossa fé, obtemos a «água viva» da esperança e recebemos com o coração aberto o amor de Deus que nos transforma em irmãos e irmãs em Cristo.” Assim, Papa nos convida a viver de modo intenso a experiência da Misericórdia de Deus que ele mesmo sentiu já durante os dias de sua juventude. Misericórdia esta que foi crucial na mudança da rota de sua vida e que o impulsionou a seguir sua vocação religiosa.

Bruno Franguelli, SJ

Podemos contemplar o jovem Jorge, aos 17 anos, caminhando pelas ruas de Buenos Aires ao encontro de seus amigos para festejar o Dia do Estudante. Era o dia 21 de setembro, festa litúrgica de São Mateus Apóstolo. Ao passar diante de sua comunidade paroquial, a Igreja de San José de Flores, decidiu entrar para fazer uma breve oração. Ao ingressar na Igreja, encontrou um padre que ainda não conhecia e que logo transmitiu-lhe grande confiança e espiritualidade. Imediatamente pediu para receber o sacramento da Reconciliação. Bergoglio recorda detalhes daquele momento. Não foi apenas uma confissão a mais, foi o seu grande encontro pessoal com a Misericórdia e o amor de Deus. Mais tarde, como Cardeal, ao lembrar este fato, ele mesmo revela que naquele momento sentiu que tinha ido ao encontro de Alguém que já o estava esperando. Sentiu que algo estava mudando em sua vida. Assim, desistiu de ir ao encontro de seus amigos para festejar e, ao invés disso, retornou a sua casa e revelou a sua família, ainda que sem saber ao certo o que significava, seu grande desejo:

“Quero e tenho que ser padre!”

Ainda que continuasse convicto de sua vocação religiosa, Jorge Bergoglio continuou amadurecendo a ideia de abraçar a vida sacerdotal. Após alguns anos, decidiu entrar no Seminário da Arquidiocese de Buenos Aires, mas logo após, encantou-se pelo modo de ser dos jesuítas, que na época, dirigiam o Seminário. Deste modo, pediu para ser admitido ao noviciado da Companhia de Jesus.

A “segunda conversão” do Pe. Jorge Bergoglio

Depois de sua longa trajetória de formação na Companhia de Jesus, Bergoglio foi ordenado padre e pouco tempo depois recebeu a missão de ser mestre de noviços e, com apenas 34 anos já era provincial dos jesuítas da Argentina. Após ter exercido cargos importantes, o então Pe. Bergoglio recebeu a missão de ser confessor e acompanhante espiritual no mesmo local onde antes tinha estado como noviço. Bergoglio recorda aqueles dias como “tempo de escuridão e de sombras”, mas ao mesmo tempo, Córdoba era a cidade onde encontrou a rota de Deus em sua vida, o caminho para a sua purificação interior. De fato, era a primeira vez, desde que tinha sido ordenado presbítero, que não assumia um cargo de governo. Aquela cidade foi para ele como uma “Nazaré”, mais que um lugar, um tempo oportuno para cuidar-se a crescer quase que no anonimato, no abraço gratuito das fatigas simples do cotidiano.

Papa Francisco afirma ainda que aquele tempo ofereceu para ele a oportunidade de viver a sua “segunda conversão”. Como confessor, passou a atender pessoas provenientes dos lugarejos vizinhos que vinham à Igreja para receber a consolação do Senhor. Professores e estudantes, ricos e pobres, todos os tipos de pessoas, que confirmavam o coração de Bergoglio no desejo de salvar as almas. Depois de ter ocupado altíssimos cargos entre os jesuítas da Argentina, Jorge tornava-se um simples servidor do Evangelho. E como ele mesmo afirmou: “Córdoba foi um propedêutico da missão que Deus ainda estava por confiar.”

No livro “El jesuíta” o então arcebispo de Buenos Aires revelou com muita sinceridade a sua profunda experiência de encontro com sua própria miséria e a misericórdia de Deus:

“A verdade é que sou um pecador a quem a misericórdia de Deus amou de um modo privilegiado. Desde jovem, a vida me colocou em cargos de governo – recém ordenado presbítero fui designado mestre de noviços, e dois anos e meio depois, provincial – e tive que ir aprendendo durante o percurso, a partir dos meus erros, porque isso sim, erros cometi aos montes. Erros e pecados. Seria falso da minha parte dizer que hoje em dia peço perdão pelos pecados e ofensas que poderia ter cometido. Hoje, peço perdão pelos pecados e ofensas que realmente cometi.”

Deste modo, Papa Francisco nos convida, através de sua própria experiência do perdão de Deus a percorrer os sendeiros de sua misericórdia e como ele sempre nos repete: “jamais podemos nos cansar de pedir perdão, porque Deus jamais se cansa de nos acolher e perdoar!”
https://www.vaticannews.va/

Ler mais

Reflexão

Reflexão para o 2º Domingo da Quaresma

O sacrifício cristão se trata de amar a vida de modo incalculável, pois ela é dom de Deus e somente Ele que a nos deu, pode consentir em sua conclusão. Nós, não.
Pe. Cesar Augusto, SJ

Ouça e compartilhe

A Liturgia deste domingo nos propõe um reflexão sobre a generosidade em sacrificar aquilo que você mais ama em demonstração de fidelidade. Deus pede, mas rejeita a conclusão do sacrifício de Isaac, primeira leitura, Gênesis 22, 1-9a.10-13.15-18; contudo Ele sacrifica seu próprio Filho Jesus, para nossa salvação, segunda leitura, Romanos 8, 31b-34; para nos declarar seu amor pelo Cristo e pedir que o escutássemos, Evangelho, Marcos 9, 2-10.

Para sacrificarmos algo que nos é extremamente querido, é necessário acreditar, ter fé no que ou em quem nos solicita tal sacrifício. Deus conhece Abraão, no entanto deseja aprimorar, purificar sua fé e pede o impensável, o sacrifício de seu filho único, mais que querido, Isaac. Por outro lado Abraão sabe que Deus é onipotente e fiel. Como ser pai de uma grande nação se o filho único será sacrificado, ele que já foi fruto de uma intervenção divina em relação ao próprio Abraão e à Sara sua mulher, bastante idosa e fora da possibilidade de gerar filhos. O patriarca sabe que Deus é fiel, generoso e pode tudo. Ele confia no Senhor, principalmente em seu amor.

A segunda leitura inverte a questão do sacrifício. Será Deus a sacrificar o seu Isaac, Jesus. Só que aí, a ação poderosa do Pai será manifestada com a ressurreição de Jesus. O Pai vence tudo por Amor. Por amor sacrifica Jesus, seu Filho único, por amor por nós! Mais, esse Filho ressuscitado permanece ao lado do Pai, intercedendo por nós. Jesus não apenas morre por nós, mas vive sua ressurreição, sua nova vida, intercedendo por nós. É o Amor!

Releiamos parte da pericope escolhida para hoje: “Quem não poupou seu próprio Filho e o entregou por todos nós, como não nos haverá de agraciar em tudo junto com ele? Quem acusará os eleitos de Deus? É Deus quem justifica. Quem condenará? Cristo Jesus, aquele que morreu, ou melhor, que ressuscitou, aquele que está à direita de Deus e que intercede por nós?”

Finalmente, na transfiguração (Evangelho), Jesus dialoga com dois grandes do Judaísmo – Moisés, o legislador e Elias, o profeta. Eles falam sobre a paixão que Jesus sofrerá proximamente; foi um modo que o Senhor escolheu para preparar seus discípulos para o desfecho da cruz. Quanto amor! Ele vai morrer por amor a nós e por esse mesmo amor ele prepara seus discípulos para que o momento seja entendido, menos dolorido e exemplo de doação de uns pelos outros.

Como está nossa capacidade de doação, de sacrifício, de desprendimento em favor do outro ou de uma causa superior? Trata-se da capacidade de se entregar, de dizer sim ao abnegar-se. Não é suicídio. Este é o desejo de fugir de uma situação insuportável, é um amor equivocado a si mesmo. O sacrifício cristão se trata de amar a vida de modo incalculável, pois ela é dom de Deus e somente Ele que a nos deu, pode consentir em sua conclusão. Nós, não. Não tivemos o poder de traze-la para nós, mas a exemplo de Jesus, poderemos sacrificá-la, no dia a dia, ou em situação extrema, em favor do Reino.
https://www.vaticannews.va/

Ler mais

Campanha da Fraternidade

Na quarta-feira de Cinzas, (17), às 10h

CNBB E CONIC ABREM OFICIALMENTE A CAMPANHA DA FRATERNIDADE ECUMÊNICA 2021, NA QUARTA-FEIRA DE CINZAS, (17), ÀS 10H

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic) abrem, na Quarta-feira de Cinzas, 17 de fevereiro, a quinta edição da Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE).

A abertura ocorrerá de forma simbólica e virtual com a divulgação de um vídeo com pronunciamentos de representantes das Igrejas que compõem o Conic. Será possível acompanhar o vídeo por meio das redes sociais da CNBB, a partir das 10h. Após a exibição do vídeo, jornalistas credenciados poderão participar de uma entrevista coletiva com representantes das igrejas por meio da plataforma Zoom. Preencha o formulário para acessar a Sala Virtual.

Neste ano, o tema da Campanha da Fraternidade Ecumênica é “Fraternidade e Diálogo: compromisso de amor” e o lema “Cristo é a nossa paz: do que era dividido, fez uma unidade”, extraído da carta de São Paulo aos Efésios, capítulo 2, versículo 14.

Realizada pela CNBB todos os anos no tempo da Quaresma, período de 40 dias que antecede a Páscoa, a Campanha da Fraternidade de 2021 é promovida de forma ecumênica, ou seja, em parceria entre várias Igrejas Cristãs. A CFE 2021 quer convidar os cristãos e pessoas de boa vontade a pensarem, avaliarem e identificarem caminhos para a superação das polarizações e das violências que marcam o mundo atual. Tudo isso através do diálogo amoroso e do testemunho da unidade na diversidade, inspirados e inspiradas no amor de Cristo.

A abertura virtual deve-se à escolha das entidades promotoras da Campanha como forma de prevenção da Covid-19. De acordo com o bispo auxiliar da arquidiocese do Rio de Janeiro (RJ) e secretário-geral da CNBB, dom Joel Portella Amado, a decisão foi tomada em comum acordo com a diretoria do CONIC, “para evitar aglomeração nesse momento em que a pandemia assume números que nos assustam”. Para dom Joel, “é necessário dar testemunho a respeito da importância das medidas sanitárias” e, para isso, os “recursos informáticos” disponíveis serão utilizados. 

Gesto concreto

A Campanha da Fraternidade tem como gesto concreto a Coleta Nacional da Solidariedade, realizada no Domingo de Ramos nas comunidades de todo o Brasil. Os recursos são destinados aos Fundos Diocesanos e Nacional da Solidariedade, os quais apoiam projetos sociais relacionados à temática da campanha. Em 2019, o Fundo Nacional de Solidariedade (FNS) distribuiu a quantia de R$3.814.139,81, atendendo a mais de 230 projetos. Em 2020, por causa da pandemia, não ocorreu arrecadação. Conheça alguns projetos apoiados pelo FNS.

Histórico

A Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE) tem sido realizada, em média, a cada cinco anos. A iniciativa congrega diversas denominações cristãs, sempre de forma ecumênica, valorizando as riquezas em comum entre as igrejas. Desde 2000, abordou os seguintes temas:

  • 2000 – Tema “Dignidade humana e paz” e lema “Novo milênio sem exclusões”;
  • 2005 – Tema “Solidariedade e paz” e lema “Felizes os que promovem a paz”;
  • 2010 – Tema “Economia e Vida” e lema “Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro”;
  • 2016 – Tema “Casa Comum, nossa responsabilidade” (tratou do meio ambiente e saneamento básico) e lema “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca”.

SERVIÇO

Abertura da Campanha da Fraternidade Ecumênica 2021

Lançamento de vídeo nas Redes Sociais da CNBB
Youtube
Facebook

Às 10h – Horário de Brasília

Logo após, entrevista coletiva pela plataforma Zoom. Preencha o formulário para receber os dados de acesso.
CNBB

Ler mais

Mensagem do Papa

Mensagem para a Quaresma:

O Papa na mensagem para a Quaresma: cuidar de quem sofre
por causa da Covid-19

O Pontífice convida a renovar a nossa fé, “neste tempo de conversão”, a obter “a «água viva» da esperança” e receber “com o coração aberto o amor de Deus que nos transforma em irmãos e irmãs em Cristo”.

Mariangela Jaguraba – Vatican News

Foi divulgada, nesta sexta-feira (12/02), a mensagem do Papa Francisco para a Quaresma deste ano sobre o tema “Vamos subir a Jerusalém. Quaresma: tempo para renovar fé, esperança e caridade”.

Ouça e compartilhe

O Pontífice convida a renovar a nossa fé, “neste tempo de conversão”, a obter “a «água viva» da esperança” e receber “com o coração aberto o amor de Deus que nos transforma em irmãos e irmãs em Cristo”. Francisco recorda que “na noite de Páscoa, renovaremos as promessas do nosso Batismo, para renascer como mulheres e homens novos por obra e graça do Espírito Santo. Entretanto o itinerário da Quaresma, como aliás todo o caminho cristão, já está inteiramente sob a luz da Ressurreição que anima os sentimentos, atitudes e opções de quem deseja seguir a Cristo”.

Quem jejua faz-se pobre com os pobres 

“O jejum, a oração e a esmola, tal como são apresentados por Jesus na sua pregação, são as condições para a nossa conversão e sua expressão”, ressalta o Papa na mensagem.

De acordo com Francisco, o “jejum, vivido como experiência de privação, leva as pessoas que o praticam com simplicidade de coração a redescobrir o dom de Deus e a compreender a nossa realidade de criaturas que, feitas à sua imagem e semelhança, n’Ele encontram plena realização. Ao fazer experiência duma pobreza assumida, quem jejua faz-se pobre com os pobres e «acumula» a riqueza do amor recebido e partilhado. Jejuar significa libertar a nossa existência de tudo o que a atravanca, inclusive da saturação de informações, verdadeiras ou falsas, e produtos de consumo, a fim de abrirmos as portas do nosso coração Àquele que vem a nós pobre de tudo, mas «cheio de graça e de verdade»: o Filho de Deus Salvador”.

Dizer palavras de incentivo

“No contexto de preocupação em que vivemos atualmente onde tudo parece frágil e incerto, falar de esperança poderia parecer uma provocação. O tempo da Quaresma é feito para ter esperança, para voltar a dirigir o nosso olhar para a paciência de Deus, que continua cuidando de sua Criação, não obstante nós a maltratamos com frequência.”

O Pontífice convida no tempo da Quaresma, a estarmos “mais atentos em «dizer palavras de incentivo, que reconfortam, consolam, fortalecem, estimulam, em vez de palavras que humilham, angustiam, irritam, desprezam». Às vezes, para dar esperança, basta ser «uma pessoa amável, que deixa de lado as suas preocupações e urgências para prestar atenção, oferecer um sorriso, dizer uma palavra de estímulo, possibilitar um espaço de escuta no meio de tanta indiferença».”

“No recolhimento e oração silenciosa, a esperança nos é dada como inspiração e luz interior, que ilumina desafios e opções da nossa missão; por isso mesmo, é fundamental recolher-se para rezar e encontrar, no segredo, o Pai da ternura”, ressalta o Papa.

Tempo para crer, esperar e amar

“A caridade se alegra ao ver o outro crescer; e de igual modo sofre quando o encontra na angústia: sozinho, doente, sem abrigo, desprezado, necessitado. A caridade é o impulso do coração que nos faz sair de nós mesmos gerando o vínculo da partilha e da comunhão. «A partir do “amor social”, é possível avançar para uma civilização do amor a que todos nos podemos sentir chamados. Com o seu dinamismo universal, a caridade pode construir um mundo novo, porque não é um sentimento estéril, mas o modo melhor de alcançar vias eficazes de desenvolvimento para todos».”

Segundo Francisco, “viver uma Quaresma de caridade significa cuidar de quem se encontra em condições de sofrimento, abandono ou angústia por causa da pandemia de Covid19. Neste contexto de grande incerteza quanto ao futuro, ofereçamos, junto com a nossa obra de caridade, uma palavra de confiança e façamos sentir ao outro que Deus o ama como um filho. «Só com um olhar cujo horizonte esteja transformado pela caridade, levando-nos a perceber a dignidade do outro, é que os pobres são reconhecidos e apreciados na sua dignidade imensa, respeitados no seu estilo próprio e cultura e, por conseguinte, verdadeiramente integrados na sociedade»”.

“Queridos irmãos e irmãs, cada etapa da vida é um tempo para crer, esperar e amar. Que este apelo a viver a Quaresma como percurso de conversão, oração e partilha dos nossos bens, nos ajude a repassar, na nossa memória comunitária e pessoal, a fé que vem de Cristo vivo, a esperança animada pelo sopro do Espírito e o amor cuja fonte inexaurível é o coração misericordioso do Pai”, conclui o Papa.
https://www.vaticannews.va/


Ler mais

Decreto

sobre a celebração de Santa Marta, Maria e Lázaro,


CONGREGATIO DE CULTU DIVINO ET DISCIPLINA SACRAMENTORUM

Prot. N. 35/21

DECRETO
sobre a celebração de Santa Marta, Maria e Lázaro, no Calendário Romano Geral

Na casa de Betânia o Senhor Jesus experimentou o espírito de família e a amizade de Marta, de Maria e de Lázaro; por isso, o Evangelho de S. João afirma que Ele os amava. Marta ofereceu-Lhe generosamente hospitalidade, Maria ouviu atentamente as suas palavras e Lázaro saiu de imediato do sepulcro a convite d’Aquele que aniquilou a morte.

A tradicional dúvida na Igreja latina acerca da identidade de Maria – a Madalena a quem Cristo apareceu depois da ressurreição, a irmã de Marta, a pecadora a quem o Senhor perdoou os pecados – determinou a inscrição, no Calendário Romano, unicamente de Marta no dia 29 de julho. A solução encontrou-se em estudos de tempos recentes, como atesta o atual Martirológico Romano, que comemora naquele mesmo dia, também, Maria e Lázaro. Além disso, em alguns Calendários particulares, os três irmãos são celebrados conjuntamente nesse dia.

Por conseguinte, considerando o importante testemunho evangélico dos três irmãos, que ofereceram ao Senhor Jesus a hospitalidade da sua casa, prestando-lhe uma atenção dedicada, e acreditando que Ele é a ressurreição e a vida, o Sumo Pontífice FRANCISCO, acolhendo a proposta deste Dicastério, decidiu que no dia 29 de julho seja inscrito no calendário Romano Geral a memória dos Santos Marta, Maria e Lázaro.

Assim, é com esta denominação, que esta memória deverá figurar em todos os Calendários e Livros Litúrgicos para a celebração da Missa e da Liturgia das Horas. As variantes e os acrescentos a adotar nos textos litúrgicos, em anexo ao presente decreto, deverão ser traduzidas, aprovadas e, depois de confirmadas por este Dicastério, publicadas pela Conferência Episcopal.

Nada obste em contrário.

Sede da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, 26 de janeiro de 2021, memória de S. Timóteo e S. Tito, bispos.

Robert Card. Sarah

Prefeito

X Arthur Roche

Arcebispo Secretário

Ler mais

“LITURGIA É ALGO ECLESIAL. É DA IGREJA, NÃO É DE GRUPOS”, DIZ DOM EDMAR PERON

Dom Edmar destaca o desejo que as pessoas lessem a coletânea sobre Liturgia de Bento XVI – na Edições CNBB, a obra Teologia da Liturgia – O Fundamento Sacramental da Existência Cristã, tem 752 páginas – não que ficassem “com alguns videozinhos de Youtube de algum gesto de Bento XVI sobre a Liturgia”.

“Leia o Tomo sobre Liturgia de Bento XVI, aí a gente pode falar de Liturgia de Bento XVI, pois se evoca a autoridade dele para fazer coisas que ele jamais iria aprovar, assim como muito evocam a autoridade do Concílio Vaticano II para fazer coisas que jamais o Concílio Vaticano II propôs”, destacou.

Missal Romano

Dom Edmar explicou a importância do Missal Romano para a Igreja: “Existe uma comunhão eclesial que se dá ao redor de um livro. Aquilo que nós celebramos é aquilo que nós cremos. A importância de um livro é que ali está a fé da Igreja”. E comentou as polêmicas causadas por notícias falsas a respeito da tradução da terceira edição pela CNBB. “Nunca, nem o Papa São João Paulo II, que promulgou a 3ª edição do missal romano, nem a Conferência Episcopal dos Bispos do Brasil tem interesse em destruir a fé, porque é o conteúdo da fé que está ali. Quando nós celebramos, nós expressamos o que cremos”, reforçou.

Dom Edmar Peron | Imagem: reprodução/TV Evangelizar (Youtube)

Terceira edição do Missal

A 3ª Edição do Missal Romano foi promulgada por São João Paulo II, após as duas primeiras por São Paulo VI. À época, o Papa Wojtila pediu que todo o missal, e não apenas as partes novas que seriam inseridas na terceira edição, fossem traduzidas.

“Isso gerou para nós no Brasil um trabalho imenso, porque nós não temos pessoas liberadas para fazerem só isso. Então nós tivemos a constituição de peritos que fizeram uma tradução do latim, muito precisa, muito atenta. E depois essa tradução paga a profissionais foi entregue à Cetel. Esses bispos tinham suas dioceses, se reuniam no máximo quatro vezes por ano. Cada parte que era revisada, era conferida no texto em latim, se analisava a poética, a compreensão… era uma fidelidade ao latim, ao povo, ao português, e tudo isso tinha que ser apresentado ainda à Assembleia dos Bispos”, lembrou dom Edmar ao ponderar sobre o longo período para a tradução dos textos.

“A cada ano se pegava o que tinha sido o trabalho, se votava na Assembleia, se começava uma nova etapa. O trabalho agora terminamos. Estamos aproveitando o tempo da pandemia, praticamente todas as semanas nos reunimos às terças-feiras pela manhã via internet para fazer aquela última olhada do que já foi traduzido. E então apresentaremos aos bispos na próxima assembleia o miolo do missal que serão os prefácios, as orações eucarísticas para que eles olhem ponto por ponto das observações que estamos fazendo e, se houve alguma mudança significativa, ela também será apresentada para que os bispos se posicionem”, explicou sobre o processo de aprovação.

“A terceira edição do Missal Romano pega tudo aquilo que os Papas modificaram ou incluíram desde Paulo IV até o Papa Francisco e coloca nessa nova edição. Que é a terceira edição típica”, resumiu dom Edmar sobre as principais alterações que serão encontradas na nova edição do missal.
Confira a entrevista na íntegra:

https://youtu.be/5mzAvMr5x-g

Ler mais